Blavatsky começou a escrever em 1874, um ano depois de desembarcar em Nova York, e fundou ali a Sociedade Teosófica em 1875. O livro saiu em 29 de setembro de 1877, e os mil exemplares da primeira tiragem se esgotaram em dez dias — número incomum para um tratado em dois volumes daquele tamanho.
A folha de rosto anuncia uma chave-mestra para os mistérios da ciência e da teologia, antigas e modernas. São duas frentes, e este volume é o dedicado à ciência; a teologia ocupa o segundo. Os interlocutores têm nome: Huxley, Tyndall, Comte. O método é a confrontação por citação — ela constrói o caso a partir das admissões de fracasso e de mistério publicadas pelos próprios cientistas.
Havia ainda uma terceira frente, e é a que torna o livro desconfortável para todo mundo. A onda do espiritualismo varria o mundo anglófono desde os fenômenos de Rochester, nos anos 1840. Blavatsky não nega os fenômenos: ela disputa a explicação. Recusa o descarte dos cientistas e recusa também a leitura dos espiritualistas, para quem aquilo eram os mortos retornando.