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Grimório

A Chave de Salomão

S. L. MacGregor Mathers (tradução e edição) · 1889

Mathers compilou e traduziu esta edição a partir de manuscritos guardados no Museu Britânico, atribuídos tradicionalmente a Salomão. O texto trata de preparação, pantáculos, horas planetárias e do instrumental da operação cerimonial. Seu valor hoje é tanto histórico quanto prático: foi por esta edição que boa parte do material circulou na tradição inglesa.

Contexto histórico

Até 1889 a Chave de Salomão nunca tinha sido impressa por inteiro. Salvo uma cópia abreviada publicada na França no século XVII, ela existia apenas em manuscrito, guardada nas grandes bibliotecas e acessível a poucos estudiosos. Mathers a levou ao prelo em Londres, numa tiragem de quinhentos exemplares — e com isso pôs em circulação, de uma vez, o material que uma geração inteira de ocultistas passaria a usar.

Ele não era um editor neutro. Cofundador da Ordem Hermética da Aurora Dourada, publicava para a sua própria corrente. E não se limitou a transcrever: cotejou sete códices que discordavam entre si, escolheu as lições que julgou corretas, omitiu um ou dois experimentos que considerou magia negra, e passou anos reconstruindo o hebraico dos pantáculos, que os copistas haviam estropiado a ponto de torná-lo ilegível. O texto que chegou ao século XX é o dele.

A atribuição a Salomão é tradicional, não estabelecida. Mathers a defende invocando Josefo, que menciona obras mágicas atribuídas ao rei; os manuscritos de que ele partiu, porém, são dos séculos XVI e XVII. Isso não diminui a obra — apenas a data.

Temas da obra

A hora certa antes de qualquer outra coisa

O Livro I abre tratando dos dias, das horas e das virtudes dos planetas, e nada do que vem depois dispensa esse cálculo. Cada operação pertence a um planeta, e o planeta manda em que dia e em que hora ela se faz. É a peça de que todo o resto depende.

Os pantáculos planetários

Quarenta e quatro discos distribuídos pelos sete planetas — sete para Saturno, sete para Júpiter, sete para Marte, sete para o Sol, cinco para Vênus, cinco para Mercúrio e seis para a Lua. Cada um traz nomes divinos, nomes de anjos e um versículo, e deve ser gravado no metal e na cor do seu astro.

A preparação recai sobre o operador

Nove dias de continência, banho em água exorcizada, jejum, vestes de linho novo, confissão. O Segundo Livro é quase todo dedicado a quem opera, não aos espíritos que se invocam — e é a parte que mais aproxima o grimório de uma disciplina ascética.

O instrumental tem receita

Faca de cabo branco, faca de cabo negro, espada, foice, adaga, punhal, lança, bastão e varinha. Para cada um, a obra prescreve o dia e a hora de fabricação, a matéria, o caractere a gravar e a consagração — o instrumento não é adereço, é parte do procedimento.

A edição de 1889 como intervenção

Mathers escolheu lições entre manuscritos discordantes, suprimiu o que julgou magia negra e restituiu o hebraico dos pantáculos por conta própria. Ler esta obra é ler também o trabalho dele — e é por isso que as suas notas foram mantidas na nossa tradução, marcadas como notas do editor.

Termos relacionados

Clavícula
O título latino da obra, Clavicula Salomonis: literalmente "chavezinha", no sentido de chave que abre o que está fechado.
Pantáculo
Disco gravado com nomes e figuras, usado como instrumento da operação — termo mais amplo que "pentáculo", que se prende à figura de cinco pontas.
Hora planetária
Um doze avos do tempo entre o nascer e o pôr do sol, ou entre o pôr e o nascer seguinte — por isso quase nunca tem sessenta minutos.
Ordem caldaica
A sequência Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua, do astro de movimento aparente mais lento ao mais rápido.
Defumação
Queima de resinas e ervas destinada a preparar o lugar e a operação; a obra distingue as de bom odor, para os espíritos benignos, das de odor fétido.
Pergaminho virgem
Pele preparada segundo o procedimento descrito na obra e nunca usada para outro fim — suporte exigido para escrever caracteres e nomes.
Círculo da Arte
A figura traçada no chão dentro da qual o Mestre e os discípulos permanecem durante a operação, com nomes divinos inscritos entre as suas circunferências.

Sobre o autor

Retrato de S. L. MacGregor Mathers (tradução e edição)

S. L. MacGregor Mathers (tradução e edição)

Escocês, cofundador da Ordem Hermética da Aurora Dourada. Traduziu e editou grimórios a partir de manuscritos do Museu Britânico — a Chave de Salomão, o Abramelin, a Goécia. É por esse trabalho que boa parte do corpus mágico medieval chegou ao século XX.

Uma forma diferente de ler

Não é um arquivo para baixar — é um volume que se abre

O livro abre dentro da plataforma, na moldura de uma encadernação: uma página por vez, virada pela lateral, com salto direto para qualquer página. O leitor reabre exatamente onde você parou.

Tradução nossa, feita do original em domínio público — não é reaproveitamento de edição alheia. A fonte de cada obra fica declarada na própria página de leitura.

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