A hora certa antes de qualquer outra coisa
O Livro I abre tratando dos dias, das horas e das virtudes dos planetas, e nada do que vem depois dispensa esse cálculo. Cada operação pertence a um planeta, e o planeta manda em que dia e em que hora ela se faz. É a peça de que todo o resto depende.
Os pantáculos planetários
Quarenta e quatro discos distribuídos pelos sete planetas — sete para Saturno, sete para Júpiter, sete para Marte, sete para o Sol, cinco para Vênus, cinco para Mercúrio e seis para a Lua. Cada um traz nomes divinos, nomes de anjos e um versículo, e deve ser gravado no metal e na cor do seu astro.
A preparação recai sobre o operador
Nove dias de continência, banho em água exorcizada, jejum, vestes de linho novo, confissão. O Segundo Livro é quase todo dedicado a quem opera, não aos espíritos que se invocam — e é a parte que mais aproxima o grimório de uma disciplina ascética.
O instrumental tem receita
Faca de cabo branco, faca de cabo negro, espada, foice, adaga, punhal, lança, bastão e varinha. Para cada um, a obra prescreve o dia e a hora de fabricação, a matéria, o caractere a gravar e a consagração — o instrumento não é adereço, é parte do procedimento.
A edição de 1889 como intervenção
Mathers escolheu lições entre manuscritos discordantes, suprimiu o que julgou magia negra e restituiu o hebraico dos pantáculos por conta própria. Ler esta obra é ler também o trabalho dele — e é por isso que as suas notas foram mantidas na nossa tradução, marcadas como notas do editor.